Luciana Leroy

Toda primeira segunda-feira de outubro, o Dia Mundial do Habitat convida a refletir sobre como as cidades crescem e sobre o direito à moradia adequada. Poucas cidades brasileiras ilustram esse debate de forma tão concreta quanto Balneário Camboriú.

O crescimento imobiliário Balneário Camboriú não é apenas um fenômeno de mercado, é um caso de estudo urbano. Entender como a cidade chegou ao skyline que tem hoje ajuda a compreender o que está em jogo quando se escolhe morar na região.

Os números que explicam a referência nacional

Com apenas 46,8 km², Balneário Camboriú transformou a falta de espaço em um dos skylines mais impressionantes da América do Sul, o que rendeu ao município o apelido de “Dubai brasileira”.

Segundo ranking da organização internacional The Council on Tall Buildings and Urban Habitat, a cidade concentra sete dos dez prédios mais altos do Brasil. Outros levantamentos apontam oito, variação que depende do ranking consultado e da data de atualização, mas a ordem de grandeza é consistente. nexojornal

Entre esses edifícios está o Yachthouse by Pininfarina, com 294 metros e 81 andares, uma das torres do portfólio que a Vangogh Imobiliária representa na região.

A concentração é o dado mais expressivo: a cidade reúne 24 dos 56 edifícios acima de 150 metros existentes no Brasil, em um município de pouco mais de 148 mil habitantes.

Como a corrida pelas alturas começou

A verticalização de Balneário Camboriú não é recente. A chamada “corrida pelas alturas” começou nos anos 1970, com o lançamento do edifício Presidente Kennedy, então o mais alto do estado, e a partir dali instaurou-se uma disputa por altura.

Os arranha-céus gigantes, porém, só começaram a surgir a partir da década de 1980, viabilizados pelo avanço do concreto armado.

O ponto de inflexão veio mais tarde: em 2008, a aprovação do plano diretor de Balneário Camboriú deixou de estabelecer limites para a altura dos edifícios. Essa decisão regulatória é o que explica a aceleração das últimas duas décadas.

O que a geografia impôs

A leitura mais honesta sobre a verticalização de Balneário Camboriú começa pela limitação física. A cidade está encaixada entre o mar e os morros, em uma faixa estreita de território.

Sem espaço horizontal para expandir e com demanda crescente turística e residencial, a resposta foi construir para cima. Não é apenas uma escolha estética ou de mercado: é uma adaptação a uma restrição geográfica concreta.

Esse é um ponto relevante para quem compara cidades litorâneas. A densidade de Balneário Camboriú não se replica facilmente, porque poucas cidades combinam a mesma restrição territorial com a mesma intensidade de demanda.

O que a verticalização entrega e o que ela cobra

A concentração vertical tem efeitos práticos no cotidiano.

Do lado positivo, ela concentra infraestrutura, comércio e serviços em distâncias curtas. Em uma cidade de 46,8 km², praticamente tudo está a poucos minutos. Isso reduz deslocamentos e viabiliza uma densidade de serviços que cidades espalhadas raramente alcançam.

Do outro lado, há os custos conhecidos de qualquer adensamento intenso: sombreamento de áreas públicas, pressão sobre mobilidade e infraestrutura urbana, e circulação mais intensa em períodos de pico, questões que seguem em debate entre urbanistas e gestores públicos.

Não há consenso técnico sobre o saldo. O que existe é um modelo que divide opiniões e que, justamente por isso, merece ser avaliado com informação em vez de entusiasmo.

O contraponto a poucos minutos de distância

Aqui está o ponto que raramente aparece nas reportagens sobre o skyline: a poucos minutos de Balneário Camboriú, a Praia Brava, em Itajaí, seguiu outro caminho.

A ocupação é menos adensada e áreas verdes de Mata Atlântica permanecem integradas ao tecido urbano do bairro. Os condomínios de alto padrão da região tendem a adotar escala horizontal, com área verde relevante dentro do próprio empreendimento.

São duas respostas distintas à mesma pergunta, como abrigar demanda crescente em um litoral valorizado. E, para quem avalia onde morar, essa diferença importa mais do que qualquer ranking de altura.

O que isso significa na hora de escolher

Há 18 anos e 7 meses atuando nas duas regiões, a Vangogh Imobiliária é a imobiliária que mais vendeu na Praia Brava, com mais de R$ 2,5 bilhões em VGV e mais de 300 investidores ativos em carteira.

Essa atuação em dois modelos urbanos distintos ensina algo simples: não existe modelo melhor em abstrato. Existe o que conversa com o seu jeito de morar.

Quem valoriza densidade de serviços, vida urbana intensa e acesso a tudo a pé tende a se adaptar melhor ao modelo vertical de Balneário Camboriú. Quem prioriza silêncio, área verde e baixa circulação costuma se identificar mais com a lógica da Praia Brava.

No Dia Mundial do Habitat, talvez seja essa a reflexão mais útil: habitat adequado não é uma definição universal, é o encaixe entre o lugar e quem vive nele.

Perguntas Frequentes

Quantos dos prédios mais altos do Brasil ficam em Balneário Camboriú?

Segundo ranking do Council on Tall Buildings and Urban Habitat, sete dos dez prédios mais altos do país ficam na cidade. Outros levantamentos apontam oito, variação que depende da fonte e da data. nexojornal

Por que Balneário Camboriú tem tantos arranha-céus?

A cidade tem apenas 46,8 km², encaixada entre o mar e os morros. Sem espaço horizontal e com alta demanda, a construção vertical foi a resposta, acelerada pela decisão regulatória de 2008.

O que mudou no plano diretor de 2008?

A aprovação do plano diretor naquele ano deixou de estabelecer limites para a altura dos edifícios na cidade.

Quando começou a verticalização de Balneário Camboriú?

A corrida pelas alturas começou nos anos 1970, com o lançamento do edifício Presidente Kennedy, então o mais alto do estado. Os arranha-céus gigantes surgiram a partir dos anos 1980.

A Praia Brava segue o mesmo modelo de Balneário Camboriú?

Não. A Praia Brava, em Itajaí, tem ocupação menos adensada e mantém áreas verdes de Mata Atlântica integradas ao bairro, com condomínios que tendem a adotar escala mais horizontal.